A “Folia de Reis” invade as ruas de Santos Dumont após o Natal
Por Gustavo Sá Fortes
27/12/2011  às 15:24
Postado 27/12/2011  às 15:24

Durante 12 dias, a partir do natal – até 6 de janeiro, é realizado uma das mais tradicionais realizações culturais e religiosas do país, a “Folia de Reis”.

O cortejo de caráter cultural e religioso em vários estados do Brasil passou ontem (26/12) pela cidade de Santos Dumont buscando o resgate popular da viagem dos três Reis Magos à gruta de Belém.

Reproduzindo de forma simbólica essa procissão, os grupos vão de casa em casa adorar o Menino Deus no presépio ou lapinha.

O Grupo de Folia de Reis “Caminho da Salvação”, da cidade de Juiz de Fora, passou pelas ruas de nossa cidade contando um pouco sobre essa tradição secular, que é passada de geração em geração.

Natural do Bairro Ipiranga e integrante da Associação das Folias de Reis e Charolas de Juiz de Fora, o grupo de passagem pela cidade, mostrou aos sandumonenses um pouco mais sobre essa cultura.

A Folia de Reis é uma festa religiosa de origem portuguesa, que chegou ao Brasil no século XVIII. Em Portugal, em meados do século XVII, tinha a principal finalidade de divertir o povo, enquanto aqui no Brasil passou a ter um caráter mais religioso do que de diversão. No período de 24 de dezembro, véspera de Natal, a 6 de janeiro, Dia de Reis, um grupo de cantadores e instrumentistas percorre a cidade entoando versos relativos à visita dos reis magos ao Menino Jesus. Passam de porta em porta em busca de oferendas, que podem variar de um prato de comida a uma simples xícara de café.

Essa manifestação é um auto popular, um teatro do povo. É religioso, sagrado e ao mesmo tempo folclórico: conta a história oficial da Igreja Católica à luz da cultura popular tradicional. Por isso é tão rico e cheio de nuances. Trata-se da manifestação popular mais difundida do Brasil e rica em ritos e crenças próprias.

São características próprias desse auto os instrumentos, personagens e enredo que cerca essa festa cultural.

INSTRUMENTOS:

Os instrumentos utilizados são a viola, violão, sanfona, reco-reco, chocalho, cavaquinho, triângulo, pandeiro e outros instrumentos.
PERSONAGENS:

Os personagens somam doze pessoas, todos os integrantes do grupo, trajam roupas bastante coloridas, sendo eles: mestre, contra-mestre, 3 Reis Magos, palhaço e foliões.
O Mestre e Contra-mestre - Dono de conhecimentos sobre a manifestação, é quem comanda os foliões.
O Palhaço - Com seu jeito cínico e dissimulado, deve proteger o Menino Jesus, confundindo os soldados de Herodes. O seu jeito alegre e suas vestimentas coloridas são responsáveis pela distração e divertimento de quem assiste à performance.

Representando o mal, usa geralmente máscara confeccionada com pele de animal e vai sempre afastado um pouco da formação normal da Folia, nunca adiantando-se à “bandeira”. Apesar de seu simbolismo é personagem alegre que dança e improvisa versos, criando momentos de grande descontração.
Os Foliões - Composta de homens simples, geralmente de origem rural, são os participantes da festa, dão exemplo grandioso através de sua cantoria de fé.
Reis Magos - São 3 Reis Magos, fazem viagem de esperança, certos de encontrarem sua estrela.

A FESTA:

Até há pouco, podia-se ouvir ao longe ou, com sorte, encontrar, vindo de bairro distante, um grupo especial de músicos e cantadores trajando fardamento colorido, entoando versos que anunciam o nascimento do menino Jesus e homenageiam os Reis Magos. Trata-se, naturalmente, da Folia de Reis que no período de 24 de dezembro a 6 de janeiro, dia de Reis, peregrina por ruas à procura de acolhida ou em direção a algum presépio. Com sanfona, reco-reco, caixa, pandeiro, chocalho, violão e outros instrumentos seguem os foliões pela noite adentro em longas caminhadas, levam a “bandeira” (estandarte de madeira ornado com motivos religiosos) a qual tributam especial respeito. Vão liderados por mestre e contra-mestre, figuras de relevância dentro da Folia por conhecerem os versos – São os puxadores do canto.

 

A possibilidade de improvisação individual, permite a recriação constante do ritual e quando estas criações individuais são aceitas pelo coletivo passam a ser incorporadas ao repertório das tradições desta comunidade, deste coletivo. Por isso, cada folia tem sua tradição de acordo com a região, os ensinamentos que são passados de geração em geração ou mesmo da forma de entendimento do mestre ou embaixador, a pessoa que lidera a folia.

Segundo os integrantes do grupo “Caminho da Salvação”, os mesmos seguem viagem para outras cidades mineiras da região, tendo como próximo destino a cidade histórica de Tiradentes e poderão voltar a cidade de Santos Dumont no regresso a cidade de origem do mesmo Juiz de Fora, no dia 06 de janeiro.

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