| ÍCARO QUE VENCEU
Ícaro quis chegar ao céu. Suas asas pregadas com cera, foram a sua perdição. O imprudente ambicioso, filho de Dédalo, foi precipitado ao mar.
Por sua vez, prometeu, gênio do fogo, imaginou roubar as chamas do Olimpo. Em castigo, Júpiter mandou acorrentá-lo nas alturas vertiginosas do Cáucaso.
Já ao nosso Alberto Santos Dumont que, desde os 15 anos de idade (1888), se entusiasmara pelos “balões de verdade”, jamais aconteceria a maldição de que está repleta a mitologia quando se refere às personagens que sonharam com o ingresso na estratosfera.
É que estas viviam possuídas pelo demônio da vaidade, enquanto o admirável mineiro da “fazenda de Cabangu” era impulsionado, - com o seu “Dumont nº 1, nº 2, nº 3, nº 4, nº 5, nº 6”, e com a “Demoiselle” ou “Libellulle”, - pelo anseio de provar ao mundo estupefacto que o homem podia voar, e, voando, lograria tornar o universo menor de distância e maior de solidariedade.
Alias, não foram anjos nas alturas que, em Belém, anunciaram Paz na terra ao homens de boa vontade?
Mas, não se pense ter sido fácil a escalada que Santos Dumont empreendeu. Se não fosse a sua obstinação, não haveria ultrapassado o seu pequenino primeiro êxito em 4 de julho de 1898 com o balão esférico que clamou, comovidamente, “Brasil”.
E se não fossem os seus carismas de Inventor, teria desistido quando, com o “Dumont 1”, sofreu um fracasso em 18 de setembro daquele mesmo ano de 1898.
Também se não fosse a sua persistência de sábio, que não desejava dinheiro nem glória vã, não teria prosseguido na luta pelo aprimoramento de sua invenção.
E, a propósito, quem ignora o destino que o extraordinário mineiro de Palmira, hoje Santos Dumont, deu ao prêmio que lhe conferiram-lhe? – Dividiu-o, ofertando 50.000 francos ao seu mecânico, e o restante a mais de 3.500 pobres de Paris, por intermédio do Chefe de Polícia da “Cidade-Luz”, Mr. Lepine.
Gestos como esses e outros, tão peculiares a Alberto Santos Dumont, lhe valeram cartas e mensagens de todas as partes do mundo civilizado. Mas, homenagem significou mais do que esta:- a fotografia que lhe enviou o inventor americano Tomás Alva Édison, - esse mesmo Édison que nos proporciona o conforto do fonógrafo e dá lâmpada elétrica: - “A Santos Dumont, o Bandeirante dos Ares”, - escreveu o cientista famoso.
Com tal dedicatória, o físico “Yankee”, derrubou, de uma vez por todas, a pretensão de quantos, - querendo arrebatar ao extraordinário mineiro o título de “Pai da Aviação”, - atribuem erroneamente a paternidade dos aviões aos irmãos Wright.
Ora, se fossemos discutir essa afirmação, por que não mencionaríamos com prioridade o nome de Bartolomeu Lourenço de Gusmão, “O Voador” , que inventou a máquina aerostática “para andar pelo ar da mesma sorte pela terra ou pelo mar com muito mais brevidade”? E, porventura, não é Bartolomeu de Gusmão também brasileiro (1685-1724)?
Afinal, não há por que, nem para que, por em dúvida a glória de Luís Alberto de Santos Dumont de Ter sido o primeiro piloto a guiar um dirigível, voando em volta da torre Eiffel. O fato é incontestável.
Em 20 de julho de 1873 , nascia o herói carlyleano. Faleceu a 17 de agosto de 1932. Ele elevou o nome da Pátria, que estremava, à altura moral e espiritual de Nação ímpar pela vocação pacifista que a singulariza.
Santos Dumont predisse que Nova York se tornaria o maior “Aeroporto” do mundo.
Quanto ao seu e nosso País, deixou-lhe o seu renome, e muito mais ainda esta mensagem que é um apelo inesquecível- Dêem asas ao Brasil para que prossiga em sua nobre missão de mensageiro da Paz num mundo de guerra.
MELLO CANÇADO Fonte: SULPEMENTO PEDAGÓGICO ESPECIAL Nº10
Ano..: agosto/73
Pag..: 13
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