| TRÊS NOTÍCIAS SOBRE SANTOS DUMONT
O montanhês de Palmira, que primeiro navegou pelos céus de Paris. Tudo sobre ele já está escrito e re-escrito. Há entretanto, umas curiosidades dos jornais franceses da época que me vieram esbarrar às mãos. Aqui tenho a revista parisiense L’Illustrations”, de 1 de fevereiro de 1902.Conta a visita que a imperatriz Eugênia, espanhola de granada, viúva de Napoleão III, lhe fez em Mônaco. Essa dama ilustre, depois a morte de seu marido, viveu trinta anos de recolhimento. Nunca mais fora fotografada. Passou em paris com a mais absoluta reserva. Não pôde, entretanto, resistir a tentação de ver o brasileiro voador o seu aparelho. A 23 de janeiro, em companhia de uma amiga, estava no hangar de Mônaco, com uma honra de inquirição ao aviador sobre como aquilo que estava vendo podia voar. Foi o maior acontecimento social do ano...entrevista do aviador, a 15 de fevereiro de 1903, ao “Je sais tout” foi o maior furo de reportagem da época. Contou os seus planos. Atingir o Polo Norte em dirigível. A previsão dos cruzadores aéreos, ameaçando as frotas, guerreando os submarinos, derrotando as armadas . E o seu plano a breve prazo:
– Espero cruzar a Europa durante uma semana num iate aéreo, que não terá necessidade de aterrisar à noite porque ele mesmo será uma casa volante....
“Le Matin”, de 18 de setembro de 1909, dava a notícia sensacional: “Santos Dumont desapareceu com sua “Libélula”, depois de cinco horas e quinze minutos. Não retornou. Ninguém sabe noticias suas”.
A noticia vinha pelo telefone de Saint Cyr. Às cinco da tarde, a multidão o aclamou no aeródromo da cidade. Atravessou-a a 20 metros de altura, voava acima dos espectadores que o aclamavam. Rumava pela via férrea. E retornava ao aeródromo:
– Vamos renovar a experiência? – pediram-lhe
– Não. O tempo ameaça. Não irei a Nauphle...
– Uma outra experiência. Estamos empolgados – insistiram.
Não resistiu o grande brasileiro. Tomou assento no seu libélula e voou. Em cada vez de aterrisar, sumiu nas nuvens e as horas se passaram . E os seus mecânicos; angustiados;
– Ele não levou mais de treze litros de essência. Só poderá voar uma hora e meia.
As notícias não chegavam. Automóveis lhe partiram ao encalço. Os habitantes de um lugarejo o viram passar. Um boato não confirmado: Ele cairá em Petit-Prés. Telefonemas por todos os lados. A tempestade interrompera as comunicações. Para, afinal, esse despacho de Nancy para Paris:
– Santos Dumont Chegou a Saint Cry. de automóvel. Seu avião ficou em Nantes...
A uma e meia da manhã, o enviado do jornal manda a notícia definitiva: Santos Dumont voara dezoito quilômetros, em minutos. Aterrizou em Wadeville, no castelo de Conde de Gallard. E Santos Dumont, para os que o encontravam:
– Como Vocês me descobriram? Foi “Le Martin”?
– Procurando. Porque veio esbarrar aqui?
– Não fui eu quem escolhi o local . Não tinha intenção de vir tão longe saí de Saint Cyr e alguns minutos depois, vi que estava perdido. Descobri um bosque ao longe. E um castelo, no meio de um parque. Para não voar debaixo das árvores, resolvi aterrisar. Ao ruído do motor guardas ocorreram. Nunca tinha ouvido esse barulho. Em seguida, os castelãos. Descobri então, que estava no castelo do Conde Galard, que fazia uma tournée eleitoral. Quando o filho mais novo do casal entrou em pânico, encontrou-me em roda de uma mesa farta entre o Conde, recém-chegado e a sua mãe...
Quando viu os seus mecânicos, Santos Dumont lhes comunicou a descoberta:
– Descobri que posso, em pleno vôo, abandonar o comando e cruzar os braços.
E foi assim, braços soltos, um lenço amarrotado em cada mão, que ele chegou, no dia seguinte, no seu “Libélula” a Saint Cyr. Sob a ovação delirante de centenas de espectadores. Sobre as suas cabeças deixou cair os dois lenços, docemente. Não houve quem não queria disputar a relíquia. Cada umas delas passou a custar milhares de francos...
ALBERTO DEODATO Fonte: SULPEMENTO PEDAGÓGICO
Ano..: agosto/73
Pag..: 2
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