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EVOCAÇÕES! - SANTOS DUMONT: REI DOS ARES! - IMPERADOR DO INFINITO!

Santos Dumont no Brasil em 1903 – Foi grandioso o final da peroração, do consagrado arador patrício, o negro José do Patrocínio – Rei dos Ares, Imperador do Infinito! - Saudando o homem brasileiro, “le petit Santôs”, dos franceses, que deu asas ao mundo – O mineiro Alberto Santos Dumont que regressava gloriosamente da Europa em 07/09/1903. O discurso fora na Capital de São Paulo – era o princípio do século XX – em sessão solene cívica no Teatro Municipal da nascente em progresso em progresso a cosmopolita “urbs” paulistana de então. Rei dos Ares, Imperador do Infinito – assim apostrofava o nosso chamado “Tigre da Abolição”, que era José do Patrocino. Ele fora a São Paulo por convite dos universitários de Direito – a “mocidade acadêmica” como era expressão da época – para que ele fosse orador dos jovens na sessão cívica do Teatro Municipal Paulista. O convite não era só por suas consagradas qualidades de oratória. É que José do Patrocínio também “inventara” um balão, “Santa Cruz” e o projeto de seu invento vinha recebendo particular atenção de Santos Dumont. Dentre as Comissões de recepção, uma houve composta de acadêmicos mineiros de Direito em São Paulo. Um desses acadêmicos, para fortuna de todos, vive em Belo Horizonte, caminhando para o centenário: é o Bacharel Policarpo de Magalhães Viotti, ex-Reitor do Colégio Estadual de Belo Horizonte, ex-Prefeito de Caxambu e Poços de Caldas, ex-Deputado Federal, Magistrado inativo da Justiça Militar de MG, figura humana e respeitada na vida mineira, que costuma repetir, emocionado, por menores dessa solenidade cívica em homenagem a Santos Dumont na Paulicéia em 1903, culminada com a famosa, histórica e até hoje apreciada apóstrofe de José do Patrocínio: - Salve, Rei dos Ares, Imperador do Infinito!

Santos Dumont no Brasil em 1928 – Em 03 de dezembro de 1928, a bordo o transatlântico alemão “Cap. Arcona”. Amanhecia no porto de Rio de Janeiro, o inventor Alberto Santos Dumont – era o último retorno à Pátria, sem o saber, e às vezes, pressentindo o fim, quatro anos após! Cursava eu o primeiro ano da Faculdade de Medicina do Rio (Praia Vermelha). Morava em Niterói e trabalhava na revisão do jornal “O Estado”, que era órgão oficial fluminense. Na Barca Companhia Cantareira e Viação Fluminense comentava-se mais um retorno de Santos Dumont ao Brasil, na sua Pátria. Alguns aviões sobrevoavam a Bahia de Guanabara, alvoroçando os passageiros da Barca. Do Cais Pharoux, na praça 15 de novembro, no Rio, à Praça Mauá, deslocava-se grande massa de povo, engrossada pela massa de Niterói. Os universitários tiveram um lugar marcado na Praça Mauá. Por volta se 9 e 10 horas, altos falantes anunciaram grave desastre aviatório, exatamente com a Comissão Central de Festas, morrendo todos os passageiros. Foi no Canal da Ilha das Cobras, no parcel das Feiticeiras, atrás do moro de São Bento. O avião era do “Syndicat Kondor”, com o significativo nome de Santos Dumont”. Era uma das máquinas voadoras que fazia evoluções. Caíra ao mar e submergira. Apelos de Santos Dumont – que chorava convulsamente ao tomar conhecimento do sinistro – para que fossem canceladas as solenidades da recepção – ele seguiria no vapor para o Porto de Santos – não foram aceitos pela multidão. Nem pelo então Prefeito do Distrito Federal, Antônio do Prado Júnior, velho companheiro de Santos Dumont na “Cidade-luz”, que era Paris, Capital da França. Uma face dessa Indecisão ou dessa disputa transparece em nota do Secretário do então Partido Democrático do Rio de Janeiro, Distrito Federal, Jornalista Matos Pimenta, vibrante e contundente, quando afirma no aspecto principal: - “Causou-me, por isso, surpresa, que um membro do Governo tivesse levado Santos Dumont para receber palmas em hora de tantas desgraças, ainda mais que o aviador patrício cedera, contrafeito, a essa manifestação”. Houve “Marche aux flambeaux”, como se falava. Assomara o pequenino homem, que le o era – “le petit Santôs” da imprensa francesa – com face emocionada e chorosa. Foi de pé, em automóvel aberto, empurrado pelo povo, em todo trajeto da avenida Rio Branco, da Praça Mauá ao Palácio Monroe, debaixo de frenéticos aplausos da massa. Dentre as comissões de recepção, devem ser assinaladas as do Touring Clube do Brasil ( Carlos Guinle, César Grilo, dentre outros), as do clube de Engenharia, cujo Presidente era Paulo de Frontin e que se compunha dos engenheiros José Agostinho, Sampaio Corrêa, AARÃO REIS , Alcindo Chavantes Júnior e Frederico Liberalli. O Presidente da República, Sr. Washington Pereira de Souza estava representado pelo Dr. José Coimbra. O vice-presidente da República Fernando de Melo Viana estava presente. O deputado Raul de Noronha Sá representou o Presidente de MG, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada. Também presente o líder da maioria do Governo na Câmara de Barbacena, Sr. Brasil de Araújo, estava representado pelo Sr. Francisco Cabral Peixoto. O Presidente do Estado do Rio, Sr. Manuel Duarte, estava representado pelo Cap. Barreto do Couto. O Orador do Clube de Engenharia, Sr, Frederico A. Liberalli, terminaram sua oração dizendo: - “Salve benemérito propulsor do progresso e designado Pai da navegação aérea!”. O presidente da Liga de Defesa Nacional, Ministro Edmundo Muniz Barreto, presente, com toda diretoria, ainda em alto mar o “Cap. Arcona” enviará o seguinte radiograma: - “A associação dos Empresários do Comércio do Rio, compareceu com a Comissão Artur Osório da Cunha Cabrera, presidente, e os Secretários Antenor G. Carvalho e José Luís Afonso. O prefeito do Distrito Federal, Antônio do Prado Júnior anunciara a assinatura do Decreto, dando nome de Santos Dumont, à avenida resultante do desmonte do Morro do Castelo, inicio da Praça existente no prolongamento da Rua Almirante Barroso, até a rua Santa Luzia.

Pormenores do desastre aviatório de 3/12/1928 – O centenário “Jornal do Comércio”, do Rio de Janeiro de 4/12/1928, dedicou seu Editorial “Gazetilha” ao desastre aviatório do dia 3, com o significativo título – “O que o Brasil perdeu ontem”. Faleceram no Sinistro: - Prof. Tobias de Lacerda Moscoso, o engenheiro competente, técnico hábil, diplomata em comissão ao estrangeiro logo se revelou o esteta, o comediógrafo, o escritor, o professor, o economista e gentleman; Ferdinando Labouriau Filho ( existe em MG, na EF Vale do Rio Doce, no ramal Desembargador Drumond-Itabira, a Estação Engenheiro Labouriau), o docente entusiasta, o técnico insigne, o político educador e triunfante (era Intendente Municipal no Distrito Federal), o jornalista que já se definira; Professor Manoel de Amoroso Costa, a maior competência em matemática daquele tempo; Paulo Costa Maya, financista erudito, engenheiro culto, o capitalista consciencioso, o empreendedor cheio de iniciativa, uma das forças de então Partido democrático do DF; representante do “Jornal do Brasil”, Abel Araújo ( que era português de nascimento) e esposa D. Cândida de Araújo; Prof. De medicina Amaury de Medeiros, deputado federal por Pernambuco, onde tinha sido Diretor de Saúde Pública (ocupara o lugar que lhe cedera o professor de Medicina Legal, Leonídio Ribeiro); o quintanista de engenharia (Escola Politécnica) Frederico Coutinho; o major reformado do Exército alemão Eduardo Vallo; o despachante Guilherme Aut; os mecânicos Gustavo de Butzkee e Walter Hasseloff, os pilotos Ernest, A. W. Paschen e Rodolfo Euet; ainda foi vitimado de maneira fatal um dos escafandristas da turma de resgate. Sobre Tobias Moscoso ainda acentuava o “Jornal do Comércio”: “ Na Conferência de Educação que se reuniu recentemente em Belo Horizonte o Dr. Tobias Moscoso desenvolvera brilhante atividade, mostrando mais uma vez os recursos polimórficos da sua mentalidade e da sua cultura”. Era ele o diretor da Escola Politécnica do Rio. Eu assisti parte disso tudo e me emocionei com toda massa do Brasil.

Ele criava e importava (?) gado bovino europeu – Ao tempo em que residi em São João Del Rei, chefiando como médico sanitarista o Centro de Saúde (1942 – 1946), que abrangia 13 municípios (Hoje 26), fui sabedor de que Santos Dumont muito se interessou pela melhoria de gado na região, tendo mesmo conseguido importar (comprados ou ganhados) excelentes espécimes de bovinos das raças Holandesas Preta e Branca, Jarsey , Guernesey, Simental, Normanda, Suíça e outras. Portanto, foi um melhorador do rebanho bovino na mineiro, quiçá brasileiro. É um sub-capítulo ainda a ser melhor pesquisado no “terra-a-terra” do eminente patrício. Algo disso, anos depois da minha saída de São João Del Rei para Belo Horizonte, encontrei em “Estado de Minas” de 18 de outubro de 1969, em reportagem de Nélio F. Cezar (texto) e Geraldo Bicalho (fotos) com o título – “Feito de 14-Bis ainda emociona Minas”, e sub-título: - “Ele criava gado Holandês”, de permeio com declaração do Sr. Osvaldo Henrique Castelo Branco, então Secretário Executivo da Casa de Cabangu, Hoje Museu.

Ele foi ser batizado em Rio das Flores, RJ. O Batismo de Alberto Santos Dumont foi feito em Igreja do então distrito de Sta. Tereza de Valença – RJ, localidade que sofreu jiga-joga de nomes. Elevado à cidade com o nome de Sta. Tereza, foi o mesmo mudado para Rio das Flores, depois de Ter tido o nome de seu filho – Manuel Duarte – que chegou a Presidente do Estado do Rio de Janeiro. O nome “Manuel Duarte”, foi depois colocado no distrito, à margem do Rio Preto, do lado fluminense, ficando em MG o velho Porto das Flores ( por muito tempo de Juiz de Fora, depois do município de Belmiro Braga, ex-Ibitiguaia, ex-Vargem Grande). Rio das Flores divide também com Rio Preto – MG (Minha terra), através do Município de S. Sebastião do Barreado. Foram os padrinhos do batismo o Dr. José Augusto de Paula Santos e D. Maria Eugênia ( ou Rosalina ) Pinto Coelho da Rocha.

- Documento escrito com o sangue do inventor! – Nessas evocações, gloriosas, inesquecíveis e tristes, incluo o que fui conhecer no Araxá – MG em 1933, quando, após concurso, fui chefiar o seu Posto de Higiene da então Diretoria de Saúde Pública de MG, até 1937. Falecera Santos Dumont em 1932, em Guarujá, durante a Revolução Constitucionalista de São Paulo. Em conversa com um Antigo Escrevente Microscopista do dito posto, Dr. Guilmar França ( por apelido – Guinga ), que faleceu em março de 1937, mostrou-me o conceituado Laboratorista um pergaminho, na qual ele, Guilmar escrevera com pincel molhado no sangue de Santos Dumont ( ele lhe colhera o sangue para exames, a pedido do finado médico Mário de Castro Magalhães). Que ele fizera as indispensáveis práticas laboratoristas, assinando inclusive a data. Eu lhe dissera que aquele documento merecia ir para um museu! Não sei o que terá ocorrido, se ele inutilizou ou doou a outrem o valioso pergaminho, se o mesmo se deteriorou, ou se está resguardado em Museu que lhe dê o valor merecido!.

HENRIQUE FURTADO PORTUGAL

Fonte: SULPEMENTO PEDAGÓGICO
Ano..: agosto/73
Pag..: 22

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Banco de Imagens

O Primeiro Desfile Aéreo do Mundo e o "Nº 10" ( "Ônibus Aéreo")

A Conquista do "Prêmio Deutsch" e Mais Duas Invenções, "Nº7 e o "Nº9"
Cronologia

 • 20/07/1873 - Nascimento de Alberto Santos Dumont

 • 20/02/1877 - Batismo de Alberto Santos Dumont

 • 18/09/1898 - Vôo do Primeiro Balão Dirigível

 • 1904 - O Livro

 • 23/10/1906 - Primeiro Vôo Mecânico do Mundo

 • 12/11/1906 - Recorde do Pai da Aviação

 • 1907 - É Constituído o Primeiro Avião Tipo "Demoiselle"

 • 1908 - Relógio de Pulso

 • 1910 - Inauguração do Monumento em Honra a Santos Dumont

 • 19/10/1913 - Segundo Monumento é Inaugurado em Homenagem a Santos Dumont

 • 1918 - A Encantada

 • 1929 - Santos Dumont Recebe a Comenda de Grande Oficial da Legião de Honra

 • 04/06/1931 - Santos Dumont é Eleito Para a Academia Brasileira de Letras

 • 23/07/1932 - Morte de Santos Dumont

 • 05/12/1947 - Tenente Brigadeiro do Ar

 • 22/09/1959 - Marechal do Ar

 • 19/10/1971 - Patrono da Força Aérea Brasileira.