Garboso

Estilo
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Extravagante e atualizado com a tecnologia da época, em 1898  Santos=Dumont trouxe para o Brasil o 1º automóvel a rodar em nossas terras, um modelo PEUGEOT "Vis-a-Vis", importado da França.

Peugeot Vis-a-Vis
Peugeot 1898
Réplica elaborada por Aílton e Glória
Tel.: 0xx(32)-3251-1895

Garboso, um pouco dandi, cabelos lustrosos e partidos ao meio, franzino mas arrojado, parecia apenas mais um "playboy" freqüentando o restaurante Maxim's e lançando no "Parc des Princes" o perigoso esporte das corridas de triciclo motorizado.

Chapéu Panamá

Pequeno, 1,60 de altura, e leve, com 50 kg, com queixo fendido e olhos penetrantes, às vezes maliciosos. Descrito como tendo a agilidade de um gato, a pisada segura de um montanhista, talvez herdada do pai, as mãos de um engenheiro, um jeito extraordinariamente irrequieto e uma convicção inabalável.  Recusava aceitar limitações, pois ninguém jamais lhe ensinara que algo fosse impossível. Seus sonhos continuavam a moldar-se em Júlio Verne.

Formal
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Tampouco deixava seus experimentos árduos e freqüentemente aflitivos atrapalharem a vida social. Conseguia praticar o balonismo durante a manhã inteira no aeroclube, ou voar sobre paris, e ainda estar no Maxim's para  praticar "almoço nas alturas" com o seu mecânico chefe "Chapin", numa mesa com quase 2 metros de altura.

Mesa de 2 metros !

Não sendo nenhum espartano, Santos=Dumont considerava que pródigos almoços regados a champanhe eram parte normal de seus vôos no balão esférico "Brasil".

Levava ainda ovos cozidos, rosbife e frango frio, queijo, sorvete, frutas e bolos, café, e licor "Chartreuse".

Estilo

Revistas e jornais começaram a noticiar tanto seu estilo de vida quanto suas invenções. Distinto, espirituoso, muito bem trajado, com freqüência tendo na cabeça um chapéu Panamá, começou também a ditar moda.  Seus colarinhos altos e brancos (conhecidos como colarinhos Santos=Dumont) e sua capa de opera forrada de seda viraram coqueluche. O bracelete de ouro (de onde pendia a medalhinha de ouro de São Benedito, que a princesa Isabel lhe deu para resguarda-lo de outros acidentes) e o cinto leve e largo que ele usava sobre o colete, foram  notados e copiados, assim como as botinas (embora não as solas grossas para aumentar a estatura, justificadas com a explicação que suas longas caminhadas as exigiam ...), as polainas, o cravo na lapela e o traje de motorista composto de boné, óculos de proteção e calções 3/4.

Figura dileta nas numerosas recepções e bailes daquele período, também gostava de receber em casa, e muitos dos que tinham dinheiro e títulos (inclusive os Rothschild, em cujos lagos e roseirais o aeronauta se acidentava tantas vezes) estiveram como convidados em sua luxuosa residência na "Rue Washington", número 5.

Entre eles destacava-se o Barão Henry Deutsch de la Meurthe, Georges Goursat, famoso caricaturista que utilizava o pseudônimo "Sem", e o joalheiro Louis Cartier. Os originais dos desenhos  de "Sem" ainda podem ser vistos no Maxim's em Paris. O relógio "Santos", primeiro relógio de pulso, é ainda hoje a criação mais vendida da Cartier.

Cartier também desenhou jóias para Santos=Dumont, em especial uma peça crivada de rubis, e gravada com uma dedicatória à certa "Belle de Neuilly", personagem misteriosa que disseram ser a amante do inventor.

Relógio Santos

Em 26 de Junho de 1903, descendo numa festa de crianças no relvado de "Bagatelle"  no "Bois de Boulogne", ele perguntou se algum menino gostaria de voar.  Naqueles tempos pré-feministas, teria sido heresia perguntar se alguma menina gostaria de voar também.  No entanto, passados alguns dias, uma garota crescida e "muito linda" fez ela mesma esse pedido incomum.

Estilo

Chamava-se Aida de Acosta, era uma famosa beldade da sociedade nova-iorquina, e vinha de uma tradicional família cubana.   Após diversas visita ao hangar de Santos=Dumont, em Neuilly (um "must" para os parisienses), ela confessou o que o brasileiro descreveu como "um desejo extraordinário".

De início Santos=Dumont achou que Aida quisesse apenas alçar vôo com ele, e tal coragem já o impressionava muitíssimo.  Quando percebeu que ela queria voar sozinha, ficou atônito.  Todos ficaram espantados quando depois de três lições ela conseguiu.

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Em 28 de Julho de 1903 deixou isso registrado para que isso não passasse em branco:  "A primeira mulher a ter embarcado num dirigível o fez desacompanhada e, livre de todo contato humano, conduziu o Número 9 por uma distância bastante superior a meia milha, de Neuilly a Bagatelle".

Durante anos a foto que dominou sua escrivaninha foi a da intrépida moça num enorme e arrojado chapéu.



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