Uma das personalidades mais marcantes da cidade, por volta de 1912-1920, foi a do Conde Francisco Canella que prestou a Palmyra relevantes serviços, Como Diretor da Companhia Carbureto de Cálcio, e Companhia Força e Luz de Palmyra. Instalaram-se aqui com a assistência financeira da Casa Bancária Carlo Pareto, entidade situada no Rio de Janeiro, de capital italiano.
Um acontecimento terrível atingiu fundo a família Canella. Quando a Itália foi envolvida na guerra 1914-1918, mandou para o front os melhores elementos de sua juventude. Na leva, partiu o professor Júlio Canella, sobrinho e genro do Conde Francisco Canella.
Assinado o armistício em 1918, um soldado, em conseqüência de traumas, pavores e ferimentos por estilhaços de granadas, ao sair do hospital, estava desmemoriado. O jovem estava perfeito em todas as sua funções físicas, mas não se lembrava quem era, não se situava no passado, ignorava o próprio nome.
Aconteceu que outro jovem, envolvido pelo mesmo terror da guerra, da mesma cidade de Canella, também teve problemas de memória. Era o tipógrafo Mário Bruneri. Uma vez cessado o abalo, Canella voltou a se reencontrar. Mas era tarde. Estabelecera-se a dúvida e instalara-se a contenta que ficou conhecida como o caso do “Desmemoriado de Callegno”. A opinião pública se dividia em Canelistas e Bruneristas. A justiça italiana, apreciando a contenda, afirmou ver no processo elementos para garantir que o “Desmemoriado de Callegno” era Mário Bruneri. E Júlio Canella, apesar de ter recuperado a memória, ficou sem identificação.
Profundamente atingido na sua sensibilidade, o Conde Francisco Canella e toda sua família se transladaram para o Brasil, Inclusive o professor Júlio Canella e seus filhos.
Instalado definitivamente no Brasil, e dando ao professor Júlio Canella toda a assistência possível, o Conde Francisco Canella, que era casado, em primeiras núpcias, com a Condessa Leopoldina Bergó Canella, teve grande atuação na vida da cidade. Consolidou a nascente indústria de Carbureto, que data 1912, e que era então a primeira dessa espécie da América do Sul.
Foram Francisco Canella e sua esposa que doaram o magnífico mosaico de Santo Antônio, de tamanho natural, vindo da Itália, que, por muitos anos figurou em uma das paredes internas da Matriz. Hoje está perfeitamente conservado no salão de cumprimentos por ocasião dos casamentos.
Antes de falecer, deixou algumas disposições em favor de Palmyra, foram selecionados de sua biblioteca aproximadamente 500 volumes que, na pessoa do Dr. Vieira Marques, seu grande amigo, doou a Palmyra.
Coube ao saudoso Geraldo Carlos do Nascimento, diretor da Secretária da Prefeitura, acompanhar o transporte de caminhão, do Rio de Janeiro para esta cidade, do precioso acervo ao qual a senhora Francisco Canella, do segundo matrimônio, adicionou uma tela do pintor italiano, representando o Conde Francisco Canella, de corpo interio ( a qual infelizmente se extraviou), e uma cópia de “Voitare na poltrona”, magnifico trabalho de Houdon. Tudo se encontra na biblioteca “Antenor Ayres Vianna”. Muito bem conservado.
Apesar de grande contribuição do Conde Francisco Canella para a cidade, principalmente na grande instalação da grande empresa, que é hoje a CBCC, e como diretor da Companhia Força e Luz, passou agora a ser uma figura quase esquecida. Mas será lembrado pelas gerações que virão pelas obras de arte que nos legou.
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