| Mas, Por Que Palmyra?
Tão logo começou a correr na Assembléia Provincial o projeto de que resultaria a Lei n.º 3.712, aconteceu aqui na Vila João Gomes uma agitação sobre o nome que se daria à nossa cidade. É de iniciativa de Jacinto Dias Augusto dos Santos Nestor de Oliveira – Duas excelentes cabeças, mas de temperamento exaltado – um abaixo-assinado para chamar de independência a futura Vila. Seria a Vila Independência, afirmavam eles com exaltação da idéia autonomista.
O documento surgiu para a Assembléia Legislativa onde foi discutido. Assumindo a liderança da discussão, o Deputado Provincial Severiano de Rezende, juntamente com Bias Fortes ( José Francisco ) pronunciaram arrebatados discursos contra a sugestão, questionando inclusive como seria o gentílico de uma possível cidade “Independência”. Sugeriu-se então para a futura cidade o nome de Palmyra.
Por esta sugestão foi Severiano de Rezende severamente acusado de imodéstia. Queria consagrar o nome de uma sua filha, ou filha do Sr. Cesário Alvim.
Severiano de Rezende que era um tribuno fogoso, defende-se com arrebatado e poético discurso, no qual afirma que, na sua opnião, a pitoresca provação que surgia no recanto agasalhado da Mantiqueira fazia lembrar a famosa Palmyra, no Oriente, que floresceu no reinado de Zenóbia, e que mais tarde, sob o jugo romano, foi destruída pelo Imperador Aurélio e ficou no mais completo olvido até que se descobrissem, no século XVII, as majestosas ruínas.
Há uma publicação do IBGE, a notável Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, que dá uma informação de que “a doadora do patrimônio da capela teria sido uma filha de João Gomes, de nome Palmyra, donde se teria originado a denominação do povoado quando elevado à categoria da Vila. E infelizmente esta informação foi repetida no folheto do IBGE, comemorativo ao centenário de Santos Dumont (1873-1973 ), sendo divulgado em impressos das comemorações cívicas da cidade.
Por Ter sido eleito Deputado Estadual e o foi sucessivamente por sete legislaturas até 1926, o Dr. Carlos da Silva Fortes renunciou ao cargo da presidência da Intendência em 1892, passando-o então ao vigário José Augusto de Almeida.
Oswaldo Henrique Castello Bran
Fonte: Livro “Uma Cidade à Beira do Caminho Novo”, Petrópolis, Editora Vozes Ltda. 1988
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